As relações com a China

Desde a reforma da China que as relações comerciais entre esta e a UE aumentaram quarenta vezes mais. Em 2002 a China torna-se o terceiro parceiro comercial da UE.
Desta forma, retrato alguns exemplos de situações que se verificam nas relações comerciais onde está envolvida a China e a forma como esta é, a meu ver, beneficiada.
A ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Economica) efectuou recentemente a "Operação Oriente". Esta foi constituida por 64 brigadas que visitaram de surpresa 15 restaurantes no norte do país, 12 no centro, 20 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 11 no Alentejo e 6 no Algarve. (Pergunto-me: e os outros? Todos sabemos que existem muitos, mas muitos mais.)
Devido a esta operação constatou-se que 89% dos restaurantes inspeccionados não cumpriam as regras. A taxa média de incumprimento noutro tipo de estabelecimentos de restauração é de 28 a 38 %.
Nomeadas falhas foram detectadas sendo as mais importantes nos rótulos em Português, falta de condições de higiene, alimentos fora do prazo e estragados (duas toneladas e meia de produtos). Deste processo resultaram 113 contra-ordenações e 3 processos crime contra os proprietários dos restaurantes chineses. Devido a todas estas condições que aparentemente os clientes não têm conhecimentos, estes mesmos clientes poderiam obter diversos problemas de saúde.
Pelo facto de ter sido tornado pública a notícia o volume de negócios dos restaurantes chineses reduziu cerca de 40 a 50%, chegando mesmo alguns a fechar por falta de clientes.
Perante toda esta situação, a embaixada chinesa em Portugal contestou a operação junto da ASAE. Por sua vez, a comunidade chinesa e a Comissão para a Igualdade Contra a Discriminação Racial acusaram a autoridade de potenciar a xenofobia e a estigmatização dos chineses.
Perante isto pergunto-me: como é possível que os chineses tentarem "envenenar" os portugueses e nós ainda serem os culpados?
O sector textil era um dos sectores que garantia a estabilidade económica.
Com o desbloqueio dos produtos têxteis chineses, as empresas têxteis vão se deparar com grandes dificuldades e considera-se mesmo que só consigam ultrapassar a crises as empresas que têm uma marca.
É preciso ter em conta que o sector dos têxteis emprega cerca de 2,56 milhões de trabalhadores na UE, o que representa cerca de 170 mil empresas. Na situação nacional, verifica-se que neste sector são empregues 250 mil trabalhadores mas cerca de 1,5 milhões de trabalhadores encontram-se ligados ao sector.
Vamos verificar com a crise dos têxteis que várias regiões vão ficar na miséria.
Os têxteis chineses vão ser vendidos a baixo custo, pois a sua produção é muito barata e se não fossem as margens dos importadores e distribuidores poderiam ser ainda mais baratos.
As fábricas portuguesas tiveram elevados custos na formaçao dos seus trabalhadores e na modernização da sua produção, para além de produzirem com qualidade muito superior face a produção proveniente da China, vê-se agora em dificuldades devidos aos baixos preços dos produtos têxteis chineses.
Não poderia deixar de referir esta situação de que tive conhecimento no telejornal nos últimos tempos.
A Ferrarri no último modelo que lançou produziu 6 carros. Apareceu um setimo. Uma cópia da China.
Este país teve grande parte do seu desenvolvimento e crescimento com base na cópia dos produtos dos outros países.
Agora pergunto-me onde estão as patentes? Para que servem? Como pode este país ser assim tão beneficiado face aos outros?Como é que os outros países podem permitir que isto se verifique?
A minha classificação perante todas estas situações é a de concorrência desleal pois as regras só existem para alguns e parece que só podem ser aplicadas a alguns.